03 de fevereiro de 2026, 21:40:25

Narrativas afrocentradas dominam o Grupo Especial do Rio, 6 dos 13 enredos exaltam a cultura negra


Narrativas afrocentradas dominam o Grupo Especial do Rio, 6 dos 13 enredos exaltam a cultura negra

Crédito: Pinterest

Faltam 14 dias para mais uma edição do maior espetáculo da Terra. A Marquês de Sapucaí já vive a contagem regressiva para o Carnaval do Rio de Janeiro, que em 2026 chega marcado pelo protagonismo de narrativas afrocentradas. No Grupo Especial, 6 das 13 escolas levarão para a avenida enredos que exaltam a cultura negra, a ancestralidade, a memória e a resistência.

Dividido em três dias de competição, Portela, Mangueira, Beija-Flor de Nilópolis, Unidos da Tijuca, Paraíso do Tuiuti e Vila Isabel apresentarão desfiles que colocam a cultura negra no centro do espetáculo.

Entre os temas estão histórias de personagens fundamentais para a formação cultural do país. O enredo da Portela destaca Custódio Joaquim de Almeida, o Príncipe Custódio, figura originária do Benin que chegou ao Brasil no século XIX e se tornou um dos pilares da cultura afro-gaúcha.

Já a Estação Primeira de Mangueira apresentará um desfile centrado na história do curandeiro paraense Mestre Sacaca, referência nos saberes da floresta amazônica, com destaque para o uso de ervas, seivas, raízes e outros elementos naturais, símbolos da relação ancestral entre saúde, espiritualidade e natureza.

A ancestralidade religiosa também ganha espaço na Beija-Flor, com a celebração do candomblé de rua mais antigo do mundo, praticado há mais de 130 anos no Recôncavo Baiano e reconhecido como patrimônio cultural imaterial.

A Unidos da Tijuca transforma em samba a literatura negra brasileira ao homenagear a escritora Carolina Maria de Jesus, autora do clássico Quarto de Despejo. O enredo evidencia a força de sua obra, sua relevância histórica e seu papel como símbolo de representatividade social.

A Paraíso do Tuiuti explora uma vertente religiosa afro-cubana, ampliando o diálogo entre as diásporas negras das Américas e levando à avenida referências que vêm sendo redescobertas no Brasil.

Fechando esse conjunto de narrativas, a Vila Isabel faz um tributo a Heitor dos Prazeres, celebrando um dos grandes nomes da cultura brasileira, reconhecido por sua trajetória como compositor, pintor e sambista carioca, reafirmando a centralidade da cultura negra na construção do samba e das artes nacionais.


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